quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Sobre o risco que é viver.





"Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde."
Cazuza.


Eu não sei quanto a vocês, mas acho que tem faltado mais gente corajosa. E eu não digo coragem pra matar barata, pra subir em árvore. Pra isso existe Baygon e escada. Eu tô falando é de coragem pra viver.

Explico: estamos nos acostumando a viver numa zona de conforto, com tudo nos seus devidos lugares e sem maiores adversidades. O problema, gente, é que a vida é uma montanha-russa. Quando você vai acostumando com os trilhos em linha reta vem aquele looping e tudo sai do lugar. Tem quem prefira o gostinho da adrenalina a cada looping. Tem quem não goste muito da idéia mas encara de frente. Mas tem também quem nem sequer sobe na montanha-russa e deixa de viver o que no mínimo seria aprendizado. Isso sem falar nos incontáveis riscos que assumimos e nos dão surpresas deliciosas.

A vida é assim, gente. Num dia estamos por cima, noutro dia nem tanto. Tem coisas boas, coisas ruins, amor, ódio, medos, inseguranças, alegrias, dúvidas. Mas, quer saber? Temos que nos acostumar com a idéia da incerteza. Afinal, "nunca se sabe para onde essa vida puta e louca quer nos levar". Clara Averbuck disse e eu assino embaixo. É impossível prever onde nossas escolhas vão dar. Que dá medo, dá sim. Mas não dá pra deixar de viver o que está ao nosso alcance por isso. Não existe lógica, não existem cálculos, não existe uma fórmula matemática completa que calcule cada percalço da vida. Se tivesse, seria fácil demais. E, cá pra nós, perderia a graça. Pois o que é a graça da vida senão esperar por aquele resultado. Comemorar vitórias. Vencer as derrotas. Sentir o os melhores e os piores sentimentos com o coração aberto. Perder o juízo por amor. Chorar e sofrer por amor. Passar aqueles dois dias esperando a menstruação descer e - aleluia! - vir junto aquela sensação absurda de alívio. Viver as maiores tristezas e ao mesmo tempo saber que tem aquelas pessoas maravilhosas de sempre pra te ajudar. O que seria da vida sem os dramalhões. Sem os copos que já jogamos na cara das pessoas. Sem o que falamos sem pensar. Sem os arrependimentos absurdos. Sem tudo o que a gente aprende. Gente, o que seria da vida sem todos os riscos que corremos e ainda haveremos de correr? Respondo: ia ser uma merda. E digo mais: tá cheio de gente por aí vivendo na sua própria bolha com medo do que a vida reserva lá fora. Eu não sei quanto a vocês, mas eu não aguentaria. Tenho vocação nata para a vida. Pro risco.

Não espero que todos sejam iguais a mim (até porque tenho lá meus dias de muita cautela - o coração agradece!). Mas eu espero, de verdade, que as pessoas sejam menos reféns de si mesmas e de seus medos. E que tenham coragem de se permitir viver o que vier pela frente.


"A vida é pra viver
A vida é pra levar."

Toquinho e Chico, pra Vinícius.

4 comentários:

Tatiana Camilo disse...

Olha Luh.. belo texto. Também sinto a mesma coisa. Gente com medo. Com medo de gastar a coragem que leva na bolsa. (será que um dia acaba?). Gente que por causa de uma decepção ou um acontecimento generaliza tudo. Gente com medo até de parque de diversão, vê se pode?! Num mundo igual ao nosso, admiro quem dá a cara pra bater, quem dáum passo a frente e não tem medo do escuro!

bjos

Anônimo disse...

Muito bom amiga! Nao so concordo como estou sempre em paralelo... sabe ne? Amo-te, soul!!!

A.S. disse...

A vida é ser vivida intensamente, desfrutar cada minuto como se fosse o último!... Viver não é apenas existir!


Beijos,
AL

Maria Midlej disse...

Sabe aquela coisa que tu le e quer sair por aí mostrando pro mundo todo? Esse teu é bem assim..

lindo blog. beijo n'ocê.