Seria muito mais fácil não escutar aquele refrão que insiste em me seguir. Seria muito mais fácil passar a vida negando tudo o que se sente. Seria muito mais fácil não ter arriscado tanto na vida. Mas eu nunca escolho o caminho mais fácil. Eu vivo arriscando, metendo os pés pelas mãos. Falo demais, bebo demais, escrevo demais, sinto demais. Amo demais. Sou puro excesso.
Sinto falta daquela nossa poesia que teimava em sair da boca e grudava nos olhos. Sinto falta daquelas suas piadas sem graça que eu digo que não, mas adoro. Sinto falta daquele olhar que ousava em me desarmar. Sinto falta de você, que nunca tive, mas insiste em me derreter com suas verdades. Sinto falta daquela época em que era só eu que importava. São tantos vocês. Vocês que me deixam um vazio que não me pertence.
Perdão pela completa falta de tato. Ando numa época em que há muito dentro de mim e não sei como lidar com tanto sentir. Escrevo para quem nem sei se existe enquanto a vida parece se perder pelas esquinas junto com cada gota de álcool que me desce pela garganta. Quero esquecer as verdades que insistem em me inquietar por dentro, em vez de encará-las. Nem que seja só por hoje.
Olha, longe de mim dar uma de
drama queen, mas tenho uma necessidade incessante de auto-conhecimento. E isso eu só consigo escrevendo toda e qualquer asneira que me inquiete. Não tenho o menor problema de parecer maluca, insensata, mulherzinha. Eu me dou o direito de sê-lo. E haja paciência para me aguentar. Haja persistência para caminhar. Haja palavra para decifrar. Haja tanto para sentir.
Haja vida. Pra viver.
("Does that make me crazy? Probably.")
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Um beijo especialíssimo pra minha mãezinha preta e suas piadas sem graça. Porque amanhã é dia das mães e de novo eu não vou estar com ela. Nem vou conseguir escrever sobre a mulher maravilhosa que ela é porque vou chorar feito criança.
Um cheiro e guarda o colo pra mim! ♥